quinta-feira, 24 de maio de 2018

Isto está bom é para o caracol

Esta tarde enquanto me senti pasmar a olhar a chuva pela janela que caía copiosamente fazendo-me lembrar um daqueles dias invernosos em que só apetece estar à lareira a aquecer a parrachita, resolvi tirar da gaveta da secretária a minha banana diária e fazer uma pausa. Isto, não fosse quem passa no corredor atrás de mim pensar que eu estava embalsamada e trabalhar que é bom, nada.
Ora pois que se lixasse masé a chuva, o problema é que a minha banana me deixou desconsolada. É que eu gosto delas firmes e hirtas, amarelas claro e lisas, a caminhar para o verde, deparei-me pois então com um autêntico pescoço de girafa, carregado de manchas castanhas, mole e cheia de fios. Acabei ainda assim por comê-la toda empapada e a custar a engolir mas a imaginá-la transformada em um queque acabadinho de sair do forno e a cheirar deliciosamente.
Ein? Aprendi isto num daqueles blogotretas de motivação. Ah poisé, temos de transformar as coisas más em coisas boas, mas depois pensei no preço da gasolina...

Olhem, isto está bom é para o caracol, não?

quarta-feira, 23 de maio de 2018

E assim é a vida

Andam a morrer-me pessoas.
Umas vão-me morrendo devagarinho, vão ficando moribundas, dia após dia, semana após semana, por vezes meses, até que acabam por se finar. Outras morrem-me sem eu querer. Algumas, mato-as eu. Só não sei se me morrem para sempre ou se ressuscitarei algumas....

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Hoje é que é!

Com uma lista enorme de tarefas para realizar ontem ao fim do dia, que durante o fim de semana estive muito ocupada social e preguiçosamente e não fiz um telho, dirigi-me muito apressada do trabalho para casa. Ao chegar ao pátio para realizar a primeira tarefa da lista, vi o meu gato Zé a dormir na espreguiçadeira e fui fazer-lhe festas, deu-me a moleza e recostei-me. Só um bocadinho. Senti as pernas tão pesadas e estiquei-as. Só um bocadinho. O Zé esticou-se e aninhou-se e eu... só um bocadinho, apaguei! Acordei às oito e tal quando os meus homens chegaram e perguntaram se não havia jantar. Quais tarefas, qual jantar.. Eu que mal consigo dormir de noite quanto mais de dia, dormi uma sesta que foi uma beleza. Não sei.. Mas hoje é que é!

Podemos?

"Terá sempre de haver uma explicação, uma razão de ser, um motivo para que aconteça ou podemos nós sentir-nos vazios depois de intensamente preenchidos, sentir-nos pesados depois de leves que nem uma pena, sentir-nos angustiados depois de plenamente felizes, ausentes depois de termos estado presentes, voar depois de presos à terra ou então parar depois de palmilhar o mundo.
Podemos?"

Flausina Amarela

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Seis unhas

Três em cada pé foi o que eu pintei esta manhã à pressa com o meu filho do lado de fora da casa de banho a pressionar. Seis unhas são apenas o que se vê, hoje dia dezasseis de maio, dia lindo de sol e  calor, dia em que resolvi, finalmente, dar ar as peles.
Gente, isto não é ser bimba, isto  não é ser pobre, isto não é Província , isto é genial, ok? Aprendam que eu não duro sempre!

Bom, estão um pouco escalabardadas, eu sei, mas foi o que se pôde arranjar...

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Oh pá não sei...

Sei que há uns tempos deu-me na telha e comprei uns pintainhos para Mamãe se entreter a cuidar e nos darem ovos para o jantar. Sei que os bichos cresceram e estão ali umas galinhas que é uma esmeração, lindas e cheias de pujança e todos os dias nos dão seis ovos.
Oh pá, mas eu não sei... Juro que são todas fêmeas em idade de primeira postura e irmãs gémeas, mas uma dá ovos castanhos, outra dá ovos gigantes, outra dá mini ovos e apenas três põe ovos normais Faltam-me os kinder e os de ouro, portanto. Não sei se lhes mande limpar o sarampo para canja, ou se as deixe ficar, são concertezamente agentes infiltradas, quiçá espias contratadas para me enervar...

domingo, 13 de maio de 2018

Grito

"Este grito que trago no peito, este fôlego de vida, esta gargalhada surda, este sorriso mudo, este querer ser o que não posso, esta dúvida constante, esta vontade dilacerante, o grito que trago na voz, calado, quase sempre calado, o manto que me tapa a alma, o xaile que me cobre o corpo....
Enquanto tiro e ponho os óculos, tique que ganhei recentemente e que me faz travar o pensamento e calar as palavras que teimosamente me voam sem eu querer, penso que tenho de arranjar novos estratagemas para sobreviver a mim própria, para me livrar de mim, aqui aprisionada em pensamentos e gritos e vontades. Eu sou o sim e o não, o quero e não quero, o sonho e a realidade, o tempo e o não tempo. Queria. Queria poder dizer, queria poder fazer, queria saciar esta sede e esta fome que me consomem a calma e me dão ganas de força..."

Flausina Amarela